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De volta ao Brasil, dançarinos contam experiência até vitória mundial nos EUA

Secretaria:
Cultura
Alex Natalino
05/12/2018 17:54

De volta para Embu das Artes, Victor VK e Maycon DX Amorin contaram sobre a experiência nos Estados Unidos, onde venceram o All Dance World, na cidade de Orlando, no dia 24/11, na categoria “show em dupla”, tornando-se os primeiros dançarinos brasileiros a conquistar esse título mundial, além de adquirirem experiência, maturidade e reconhecimento artístico de outras nacionalidades, num evento que contou com 32 países e cerca de 3.500 profissionais que desempenharam inúmeros estilos, técnicas e culturas. “Tomamos um banho de conhecimento”, disse VK. “Foi só dança na veia”, apontou DX, já que o encontro não teve apenas a proposta de promover competição, mas também de apresentar uma série workshops e exibições de profissionais tarimbados como Mollee Gray e Drako.

O secretário municipal de Cultura, Júlio Campanha, parabenizou os garotos em seu gabinete e reiterou o apoio institucional à dupla: “Eles merecem nossa atenção, pois muito orgulham nosso município, sendo exemplos de superação e competência”.

A dupla, que se intitula VM Gemini, encarou uma plateia de 7 mil espectadores que compunham verdadeiras torcidas organizadas que vibraram por seus países. “Chile levou 350 integrantes, havia país com 200, como a Costa Rica, Argentina e Espanha encaminharam 60 e a equipe do Brasil não chegava a 15, não tínhamos torcida, mas cativamos o público e fomos aclamados por eles, o que certamente influenciou os jurados”, descreveram os “gemini”.

Eles se completam em estilos e técnicas no freestyle, misturando street dance, jazz, forró, sertanejo, ragga e contemporâneo, ou seja, música estrangeira e brasileira num só remix, produzido pelo próprio Maycon DX. Na performance, eles incorporam movimentos diversos, que vão desde saltos mortais a expressões cômicas com muito gingado. “Esse é o nosso tempero”, definiram. “A montagem da coreografia foi construída a partir de uma base estrutural, acrescida de “musculatura” e “design” e depois alinhada, procurando contar uma história que alterna momentos de graça, leveza, câmera lenta e explosão”, explicaram os campeões.

Além da dança, companheirismo, respeito e senso de boa convivência com outros profissionais foram comportamentos levados em consideração na avaliação dos organizadores durante os dias que ambos ficaram instalados no Hilton Resort, onde tudo aconteceu, durante as formações e nos bastidores do All Dance World.

Depois do êxito no All Dance, apareceram diversos convites aos dançarinos, desde a realização de workshops a estudos e apresentações fora do Brasil. Por aqui, os rapazes despertaram o interesse do Grupo Raça, importante companhia que desenvolve a dança no País há mais de três décadas. “Ainda estamos analisando as propostas”, declararam.

Autodidatas, Victor VK e Maycon DX começaram a dar os primeiros passos nas ruas e depois aprimoraram suas técnicas no Espaço Dançarte, escola da qual ganharam uma bolsa de estudo. Atualmente são professores de lá. “A dança abraçou a gente, estávamos sem rumo e elas no salvou”, revelou DX, que lembrou o dia em que a artista Raquel Trindade o viu, aos 9 anos de idade, dançando descompromissadamente pela cidade, enquanto ele recolhia latinhas para reciclagem para seu sustento. “Você tem muito talento e futuro, insista na dança”, aconselhou Raquel a DX, que depois desse contato, nunca mais tirou essa ideia da mente. “Não pude homenageá-la antes de nos deixar, depois que fomos campeões do All Dance Brazil no mês de abril”, lamentou o dancer, que incorpora ao seu repertório danças urbanas americanas e africanas.

VK tinha uma infância conturbada, com dificuldades financeiras e sem expectativa de vida, situações que o levaram à depressão, quando descobriu o balé e depois migrou para o jazz e hip hop. Agora ele também ensina balé lírico contemporâneo. “Fui me envolvendo com essa arte e entendo hoje que, apesar do mundo provocar injustiças, temos que levantar nossa cabeça e nos mantermos focados em nossos objetivos”.

Para os artistas, além de levar eles para uma perspectiva de mundo melhor, a arte os ajuda a expressar aquilo que gostariam de dizer em palavras e as apresentações ao vivo impulsionam seus instintos para encarar os desafios . “Esse troféu é como se fosse uma placa onde está escrito “Nunca desista”, pois nenhum talento é em vão”, declarou DX. “Insistam, mesmo que tudo jogue contra, acredite naquele 1% de esperança que lhes restam, mantendo os pés no chão, mas com as asas abertas”, recomendou VK.               

Sendo os primeiros a ganhar essa bagagem lá fora, eles desejam a montagem de uma equipe maior para disputa no próximo ano, para promover a ascensão de mais bailarinos, bailarinas, dançarinos e dançarinas, ajudando a dança a crescer no Brasil e levar o nome de Embu das Artes para além das fronteiras e das artes plásticas. 

Os campões irão se apresentar com a dança vencedora no Rampas (Estrada Rodovia Régis Bittencourt, km 288) no dia 9/12, a partir das 18h, e no Natal Iluminado (Largo 21 de Abril, Centro), nos 15/12 e 28/12, às 19h. É possível acompanhar os dançarinos nas redes sociais: Youtube; Instagram e Facebook.

Assista abaixo a apresentação da vitória nos EUA:

 



Fotos: Thaís Araújo - PMEA / Divulgação
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