A antropóloga Lúcia
Rangel revê a história brasileira no primeiro encontro
A
Escola de Cidadania de Embu das Artes e Região iniciou, em 4 de março, o seu
primeiro curso, para 150 pessoas. Lúcia Helena Rangel, doutora em Antropologia,
do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), professora da Pontifícia
Universidade Católica (PUC) de São Paulo, abordou o tema Formação da Sociedade
Brasileira e desfez a história nacional na cabeça de muita gente. Isso porque a
maioria dos participantes aprendeu que a escrava, mostrada forte e de seios
fartos, era uma amável ama de leite; que o índio não foi escravizado como o
negro porque era livre e não gostava de trabalhar (eu acreditava nisso). Mas
não é bem assim. “A ama de leite era obrigada a amamentar o filho da sinhá antes
do seu, e as indígenas eram capturadas, caçadas, estupradas, violentadas e
obrigadas a casar com colonos. Às africanas eram destinados os serviços
domésticos, dos quais faziam parte ‘servir’ os senhores da casa grande e
amamentar os filhos das sinhás.”
Lúcia Rangel foi além ao lembrar os 6 milhões
de índios que habitavam o País na chegada dos jesuítas e os 2, 5 milhões de
africanos trazidos para a nova terra, que em 1912, quando a estrada Madeira–Mamoré
ficou pronta, a borracha já não era nossa, iniciando o fim de um ciclo
econômico, os indígenas que ainda hoje lutam por sua sobrevivência. As grandes sequelas
de toda essa história estão evidenciadas no comportamento de um povo que se
declara 90% branco ou pardo no censo do IBGE, embora proveniente do negro,
índio, mulato, cafuso e apenas de uma categoria branca, a do colonizador, e que
nem sempre sabe que a maior festa realmente brasileira é a junina. “A formação
de nossa sociedade é marcada pela escravidão e expropriação de terras,
principalmente dos povos indígenas”, disse a mestra.
A
antropóloga cumpriu o que propõe a Escola de Cidadania, que busca uma Sociedade
do Bem Viver: “Sensibilizar os e as participantes para uma compreensão mais
ampla e profunda da sociedade em que vivemos e o funcionamento das instituições
políticas com as quais convivemos, desempenhando com mais confiança e interesse
o papel de cidadãos e cidadãs comprometidos com o desenvolvimento do País”.
Luíza
Erundina fala de democracia em 11/3
O
próximo encontro semanal do curso da Escola de Cidadania, realizado em parceria
com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Embu das Artes, e
Prefeitura da Estância Turística, terá palestra da deputada federal Luíza
Erundina. Ela falará sobre “Democracia Representativa para Democracia
Participativa”, em 11/3, às 19h, no Centro de Eventos O Caipirão (avenida Elias
Yazbek, 2812). A entrada é aberta ao público, assim como todos os encontros,
gratuitos, da Escola de Cidadania, que também aceita alunos ouvintes.
O
programa inclui ainda:
18/3
– Violência Doméstica e Familiar, com Marisa Araújo e Simone Hipólito
25/3
– O Estado Que Temos e o Estado Que Queremos, com Rudá Ricci
2/4
(terça-feira) – Orçamento Público, com Odilon Guedes
8/4
– Plano de Metas: Meio Ambiente
15/4
– Plano de Metas: Saúde, com Carlos Neder
22/4
– Comunicação, com Victor Zacarias
29/4
– Plano de Metas: Educação, com Maria José Favarão (Mazé)
6/5
– Plano de Metas: Cultura, com Célio Turino
13/5
– Consciência Negra e Cotas
18/5
– Economia Solidária, com Paul Singer e Prefeito (prefeito), Centro Cultural
Pirajuçara/Valdelice
27/5
– Plano de Metas: Segurança Pública, com Benedito Mariano
3/6
– Plano de Metas: Juventude
10/6
– Plano de Metas: Mobilidade
17/6
– Plano de Metas: Moradia, com Inês Magalhães
Programa sujeito a alteração. Os encontros
são realizados às segundas-feiras, no Centro Cultural Mestre Assis (Largo 21 de
Abril, 29), com algumas exceções assinaladas acima.
Mais informações pelo telefone (11) 4704-4816,
11 7738-7023 (Nextel), 11 968-427969 (vivo), 11 982-990568 (Tim).