“Cerol é a mistura de cola de madeira com vidro moído que as crianças passam na linha dos papagaios para cortar as de outrem” – registra o velho Aurélio. Mas não é bem assim. Entre os freqüentadores do Parque do Lago Francisco Rizzo, a principal área de lazer da cidade, os zeladores da Prefeitura de Embu têm alertado pais que entram com filhos pequenos e vão para o fundo do parque soltar pipas com linha de cerol. A linha de uma pipa já é cortante e com a mistura provoca mais que cortes profundos: deixa motociclistas, as principais vítimas, cegos ou de pescoço cortado, pessoas, incluindo criancinhas, com dedos amputados ou eletrocutadas, mata um bocado de aves e danifica até pequenos aviões.
Nesta época do ano os ventos, de junho a setembro, sopram a favor de muitos acidentes porque há mais pipas no ar. Porém, a estimativa da Associação Brasileira de Motociclistas (Abram), que faz campanha contra o cerol, é de que pelo menos 25 pessoas que transitam de motocicleta morram anualmente no País, entre as 100 acidentados com linhas de cerol.
Há leis estaduais que proíbem a venda do cerol e no caso de São Paulo é o Projeto de Lei nº 56/1997. Ele não faz referência à proibição do uso, mas, com base no artigo 132 do Código Penal, o adolescente flagrado usando linha com cerol poderá ser levado à delegacia, com os pais, por colocar em perigo a vida de outra pessoa. O adolescente não será penalizado, mas os pais podem ser qualificados no artigo 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) por descumprimento do pátrio poder e terão de pagar multa de três a 20 salário mínimos. O menor pode ser penalizado com medidas socioeducativas. Lesão corporal é crime previsto no artigo 129, com pena de três meses a um ano. Se houver morte, é crime de homicídio, com pena de seis a 20 anos, artigo 121, do Código Penal.