Gente demais, autoridades demais, barulho demais por uma passarela? Não, por 66 mortes desde 1990, seis somente neste ano, pelo fim da tensão de quem espera por alguém da família que tem de atravessar na altura do km 275 mais 800 metros, quase 276, da rodovia Régis Bittencourt (BR 116) para chegar em casa, especialmente à noite. E ainda pelo sossego dos moradores do Jardim Mimás, em Embu das Artes. A passarela é uma das primeiras das 51 que serão construídas nos 402 km da BR 116, no percurso São Paulo–Curitiba, até 2012. Ficará pronta antes do prazo previsto.
“Muitas pessoas lutaram para que este dia chegasse, muitas pessoas. Só quem já perdeu um parente, um amigo sabe da importância desta obra”, disse o prefeito Prefeito, no lançamento da obra da passarela de metal que cruzará a BR 116 em dois meses. Isso mesmo, serão necessários apenas 60 dias, a partir de 16/5, para fazer a fundação da passarela, incluindo meia hora de interrupção do trânsito na BR 116 para a instalação da estrutura pré-moldada sobre a rodovia, e sua inauguração, garantiu Dario Monteiro, gerente de engenharia da autopista Régis Bittencourt, da concessionária OHL Brasil. “A passarela terá grade de segurança, dispositivo para impedir tráfego de motos e acesso a cadeirantes”, diz.
Prefeito lembrou o que disse o deputado federal Carlos Zarattini, que participou do evento, ao citar que a BR 116 começa a deixar de ser a “rodovia da morte”. E endossou observações feitas pelo ex-prefeito Prefeito, enfatizando que a prefeitura continuará levando melhoras para aquela comunidade: “Antes de 2001 o bairro não tinha um bico de luz, um metro de asfalto. Concluímos os últimos trechos na semana passada. Tem este pedacinho aqui e a rua Peru pra fazer. Estamos continuando a trabalhar pelo povo de nossa cidade. E, nem que seja no dia 31 de dezembro, nós vamos começar a fazer o posto de saúde do Mimás”.
Os moradores do Jardim Mimás festejam o fim do suplício e a nova passarela, que será construída um ano antes do prazo previsto. No contrato com o governo federal, a OHL Brasil teria de entregar a passarela em 2010. O adiantamento também foi creditado ao empenho da Prefeitura de Embu. “Todo mundo aqui já perdeu alguém. Eu mesma vi morrer dez pessoas. Outros foram atropelados aqui, mas não morreram”, diz Percília Gomes Fonseca, moradora há 15 anos na rua Estados Unidos, no Mimás. Ela espera apreensiva todas as noites pelos filhos, que na volta da faculdade e do trabalho têm de cruzar a BR 116.
A moradora da rua Japão, Núbia Ferreira, casada, dois filhos, ao ser perguntada sobre o que acha da nova passarela responde quase evasivamente: “Acho bom”. Depois de longa pausa, revela que perdeu a mãe, Elza, em 1998 no mesmo local e que teme por ela, pelos filhos e pelo marido.
Na visão do prefeito Prefeito, a vontade política está sempre presente em cada ação do governo federal e se mostra na BR 116: “A Régis Bittencourt terá pedágio de R$ 1,50 e o custo do percurso de mais de 400 km de São Paulo a Curitiba será R$ 9, enquanto de São Paulo a Santos, 55 km, por rodovia estadual, sai hoje por R$ 17,50”. Ele destacou a importância da ajuda do governo federal para o município de Embu:
“Além da vontade de Deus, é preciso vontade política de quem está governando. E a vontade política do presidente Lula, desde 2002, foi melhorar a vida do povo brasileiro. Ele criou a bolsa família, o Pró-Uni, a universidade pública para todos. São mais de 300 mil jovens no Brasil e tem vários do Embu fazendo faculdade. Na área habitacional só existia plano para quem ganhava seis, sete ou mais salários mínimnos. O Lula criou primeiro o Programa Social de Habitação (PSH) e nós conseguimos de 2003 pra cá, no governo Prefeito, trazer recursos para a cidade para fazer urbanização de área pública e moradia. Dezoito córregos foram canalizados em oito anos. Isso é vontade política.”
Lembrando que não se faz nada sozinho, nem o prefeito, nem o presidente da República, Prefeito também destacou a importância do trabalho de Dilma Rousseff para que os projetos cheguem aos municípios e à população. Citou como exemplo de vontade política em todas as esferas do poder os programas sociais e seus benefícios que vão além da habitação: “A pessoa vai ao posto de saúde, pega o remédio, passa o efeito, volta, toma de novo e quando vai ver está doente porque dorme num quarto embolorado, sem ventilação”.
De acordo com Prefeito, será assinado convênio, ainda em maio, de R$ 4 milhões para garantir a qualidade da habitação no jardim Mimás. “São 430 famílias. Vamos melhorar a casa, fazer calçada onde não tem e parte do recurso vai para uma reivindicação antiga dos moradores, a área de lazer. Neste terreno (perto da rua Rússia), que estamos comprando, vamos fazer com parte do recurso das casas uma praça com playground para as crianças e cobertura do ponto de ônibus.”
As 51 passarelas da BR 116 têm prazo para ser construídas até 2012. Nesse período, não só a população de Embu, mas de todas as cidades nas margens da rodovia devem ficar atentas ao atravessá-la. Isso porque antes de construir as passarelas, a concessionária tem de melhorar o percurso da estrada e os motoristas andam mais rápido. Assim, o morador deve considerar que o seu tempo de travessia é reduzido entre um veículo e outro.
Segundo Osmar Simões da Costa, coordenador de Tráfego da BR 116, da OHL Brasil, o contrato não permite que as passarelas sejam construídas antes da recuperação inicial dos trechos da estrada em que elas estão.
No lançamento da obra da passarela também compareceram o vice-prefeito de Embu, Natinha, o secretário de Obras Milton Oliveira de Jesus, o presidente da Câmara, Silvino Bonfim de Oliveira Filho, os vereadores João Leite, Júlio Campanha e Na, líderes comunitários, entre outros.