“Temos
23 anos de ECA e a criança, como sujeito de direito, continua sendo mandada de
um abrigo para outro.” Foi assim que Ana Cristina Silva, da Organização não
Governamental (OnG) Rede Criança de Combate à Violência Doméstica, iniciou, em
28/6, a IV Roda de Conversa, com o tema Todos Contra
o Trabalho Infantil, o Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O
encontro contou com a participação de cerca de 100 profissionais das
secretarias de Assistência Social, Trabalho e Qualificação Profissional,
Educação e Saúde.
A Roda de Conversa é um projeto de treinamento e conscientização
de profissionais, das famílias e do público em geral na defesa dos direitos dos
menores. Essa violência está concentrada especialmente no abuso sexual, visto
que a cada 8 minutos uma criança é violada no País, de acordo com pesquisa
Unicef. A maioria ocorre dentro de casa. O trabalho infantil é outro erro
cometidos por adultos que ignoram que criança tem de brincar para se desenvolver.
A conferencista fez ampla abordagem do assunto e emitiu conceitos,
como: “A gente fala que criança é futuro, mas a criança é hoje; a ECA fala de
alguns direitos que muitas vezes a gente não garante”. Segundo Ana Cristina,
pesquisa feita recentemente indicou que a criança, vítima de violência, fica
muito estressada ao passar pelos setores de atendimento, tendo de contar
diversas vezes a sua história de abuso.
Por
adultos mais seguros
“Ela chega pelo abuso, por tudo o que passou a cada lugar, tendo
de repetir a história, sendo que o trauma é tão grande que faz de conta que
nada aconteceu, não confia
ninguém.” Tudo
especialista. “Por isso há tantos adultos sem confiança um no outro, sem
relacionamento, pelo que viveram lá atrás”.
Crianças mais felizes
e adultos saudáveis dependem assim do trabalho de todos, principalmente dos
profissionais envolvidos. “Devemos tratar o ser humano como
sujeito, não uma coisa. Só respeito a criança e o adolescente se respeito e
trato bem meu colega, todas as pessoas”.
A especialista chama atenção para expressões que reforçam maus
tratos, como acreditar que “roupa suja se lava em casa”, “não se meta, o filho
é meu e faço com ele o que eu quero”. Na verdade, se ocorre de um adulto na
família abusar de uma criança é preciso denunciá-lo e ninguém é “dono” do (a)
filho (a). Desde 1985 trabalhando com crianças e adolescentes, Ana Cristina respondeu a várias perguntas dos participantes sobre relações com a
criança, as famílias, melhor aproveitamento de serviços e atitudes corretas.
Para ela, a recuperação de crianças e adolescentes é possível: “As pessoas
mudam, sim”.
Além da Roda, promovida pelo Governo de Embu das Artes, por meio
da Secretaria de Assistência Social, Trabalho e Qualificação Profissional, há
outras ações de conscientização, por meio de comunicado às famílias e
folheteria, faixas e cartazes distribuídos nas instituições assistenciais da
cidade. A
proposta é que todos aprendam a lidar com os menores, com base no Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA), que regulamenta direitos com base na Constituição de 1988,
pela Lei nº 8.069/1990. A IV Roda de Conversa, foi finalizada com Sarau do Centro de Referência
da Juventude (CRJ).